Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra dengue do Butantan

Aplicação da Butantan-DV é interrompida por precaução após registro de eventos adversos raros que serão investigados por autoridades sanitárias

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV, imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva para permitir a investigação de eventos adversos raros identificados durante o monitoramento da população vacinada.

A decisão foi tomada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desses, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos.

Segundo o Ministério da Saúde, os casos representam apenas 0,008% das cerca de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Até o momento, não há comprovação de relação direta entre os eventos registrados e a vacina.

A campanha de vacinação teve início em janeiro deste ano e era destinada a profissionais da Atenção Primária à Saúde e à população de 15 a 49 anos em localidades selecionadas dos estados de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins.

As autoridades sanitárias ressaltam que a suspensão temporária não invalida a eficácia nem a segurança demonstradas pelo imunizante durante os estudos clínicos que antecederam sua aprovação. A medida segue protocolos internacionais de farmacovigilância, adotados para monitorar a segurança de vacinas após sua introdução na rede pública de saúde.

A interrupção foi recomendada após avaliação de especialistas e de órgãos técnicos responsáveis pelo acompanhamento de eventos adversos relacionados à vacinação.

Para quem já recebeu a Butantan-DV, a orientação é observar possíveis sintomas por até 21 dias após a aplicação. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Enquanto a investigação prossegue, as equipes de saúde foram orientadas a reforçar a vigilância dos pacientes vacinados, intensificar a notificação de casos suspeitos e garantir atendimento rápido diante de sinais de alerta ou agravamento do quadro clínico.

Foto: Gov.br/João Risi/MS

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