Docente chegou a ser presa e liberada; caso envolve material de alto controle e investigação da Polícia Federal
A professora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é investigada pela Polícia Federal após o desaparecimento de amostras de vírus de um laboratório da instituição. Ela chegou a ser presa na segunda-feira, mas foi liberada no dia seguinte por decisão judicial.
O caso começou após a própria universidade identificar, em fevereiro, o sumiço de materiais biológicos armazenados no Instituto de Biologia (IB), em uma estrutura de segurança NB3, considerada de alto nível de contenção. Dias depois, as amostras foram localizadas em freezers da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde a docente atua.
De acordo com as investigações, a suspeita é de que a professora tenha retirado e transferido o material sem autorização. Entre os vírus envolvidos estariam linhagens da gripe tipo A, como H1N1 e H3N2, que podem infectar humanos e animais. Até o momento, não há confirmação de exposição ou risco à população.
O marido da professora, Michael Edward Miller, também é investigado, mas não foi preso.
Perfil da pesquisadora
Soledad Miller, de 35 anos, é doutora em Ciências Farmacêuticas e atua na área de virologia e biotecnologia. Ela coordenava um laboratório na FEA voltado ao estudo de vírus e aplicações na área de alimentos.
A pesquisadora possui experiência com diferentes microrganismos, incluindo vírus como zika, vírus sincicial respiratório, influenza e SARS-CoV-2. Antes da Unicamp, também teve passagem por centros de pesquisa em Campinas.
Além da atuação acadêmica, ela e o marido são sócios de uma startup de biotecnologia voltada ao agronegócio, com foco no uso de microrganismos para a melhoria de processos produtivos. A empresa divulgava serviços envolvendo técnicas avançadas de virologia.
Até o momento, não há confirmação de que o caso investigado tenha relação direta com as atividades da empresa.
Investigação
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito. O Ministério da Agricultura ficou responsável pela análise das amostras.
Em nota, a Unicamp informou que está colaborando com as autoridades e que os envolvidos poderão ser responsabilizados conforme a legislação vigente.
Foto: Divulgação/Linkedin


