Estudo relata melhora temporária de paciente com Alzheimer após uso de psilocibina

Caso envolvendo mulher de 80 anos desperta interesse científico, mas pesquisadores ressaltam que não há evidências de cura ou tratamento comprovado

Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Neuroscience chamou a atenção da comunidade médica ao relatar a melhora temporária de uma paciente de 80 anos com Alzheimer avançado após a administração de psilocibina, substância encontrada nos chamados “cogumelos mágicos”.

Segundo os pesquisadores, a paciente convivia com a doença havia cerca de dez anos e apresentava comprometimento cognitivo e motor severo. Antes da intervenção, comunicava-se por meio de palavras isoladas, dependia de cuidadores para atividades básicas do dia a dia e enfrentava dificuldades de locomoção.

Após receber uma dose controlada de psilocibina em ambiente supervisionado, a mulher apresentou mudanças consideradas significativas. Entre elas, os pesquisadores observaram melhora na comunicação verbal, com a formação de frases completas, recordação de memórias pessoais, maior interação social e recuperação temporária de algumas habilidades funcionais, como vestir-se sozinha e controlar a bexiga.

Apesar dos resultados, os autores do estudo ressaltam que o caso não representa uma cura para o Alzheimer. Por se tratar de um relato individual, não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorreria em outros pacientes ou que a substância possa ser considerada um tratamento eficaz para a doença.

A pesquisa levanta a hipótese de que determinadas funções cognitivas aparentemente perdidas possam permanecer preservadas em algumas áreas do cérebro, tornando-se temporariamente acessíveis sob condições específicas. A observação poderá contribuir para novas investigações sobre o funcionamento cerebral em estágios avançados da doença.

A psilocibina vem sendo estudada em diferentes países por seu potencial terapêutico em casos de depressão resistente, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. No entanto, sua aplicação no tratamento do Alzheimer ainda está em fase inicial de pesquisa e não possui aprovação para uso clínico com essa finalidade.

Especialistas alertam que a substância pode provocar efeitos adversos importantes, como alterações na percepção, confusão mental e episódios de agitação. Por isso, seu uso deve ocorrer exclusivamente em pesquisas autorizadas e sob acompanhamento de equipes médicas especializadas.

Com o envelhecimento da população e o aumento dos casos de demência em todo o mundo, a busca por novas alternativas terapêuticas permanece como uma das principais frentes da neurologia. Embora promissor, o caso relatado é considerado apenas um passo inicial, que ainda exige estudos mais amplos e rigorosos antes de qualquer aplicação prática na medicina.

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