Maior oferta de cana no Centro-Sul reduz cotações do etanol hidratado, enquanto anidro registra valorização impulsionada pela demanda das distribuidoras
O mercado brasileiro de etanol encerrou maio sob influência direta do avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do país. O aumento da oferta manteve pressão sobre os preços do etanol hidratado, enquanto o etanol anidro apresentou valorização, refletindo diferentes dinâmicas entre os segmentos do biocombustível.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o etanol hidratado combustível registrou média de R$ 2,2315 por litro na última semana de maio, queda de 0,79% em relação ao período anterior. O resultado acompanha o aumento gradual da disponibilidade do produto no mercado, impulsionado pela intensificação da moagem da nova safra pelas usinas.
Na direção oposta, o etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, encerrou a semana cotado a R$ 2,5650 por litro, alta de 0,62%. O desempenho foi sustentado pela demanda constante das distribuidoras e pela necessidade de cumprimento da mistura obrigatória nos combustíveis comercializados no país.
Em Paulínia, referência nacional para o mercado spot de etanol, o Indicador Diário Paulínia registrou cotação de R$ 2.351,50 por metro cúbico para o etanol hidratado no último pregão de maio, avanço de 0,47% em relação ao dia anterior. Apesar da recuperação pontual, o indicador acumulou queda de 2,27% ao longo do mês, refletindo o cenário de maior oferta característico do início da safra.
Para os próximos meses, agentes do setor acompanham a evolução da moagem de cana, a produção de açúcar e etanol e o comportamento dos combustíveis fósseis. Especialistas apontam que fatores como a competitividade frente à gasolina, o consumo interno e as condições climáticas serão determinantes para a formação dos preços durante o segundo semestre de 2026.


