Fogo destrói pizzaria e Biblioteca Municipal


 Acervo de livros e documentos havia completado 35 anos no fim de novembro

 

A chuva havia dado uma trégua na noite de sábado (3), quando por volta das 21h, clientes e funcionários da Pizzaria Casamassima entravam em desespero com o início do incêndio. 
O forro feito de madeira alastrava rapidamente as chamas, enfeites natalinos e as cortinas nas cores da bandeira da Itália eram consumidas pelo fogo. A combustão criava proporções incontroláveis aos extintores da pizzaria, rapidamente o incêndio já atingia o prédio ao lado, a Biblioteca Municipal. 
Uma cortina de fumaça cobria a Rua Antônio Carlos Nogueira, o incêndio consumia os prédios, as chamas começavam a atingir casas próximas e uma oficina mecânica ao lado da Biblioteca. Sem condições de conter o fogo, funcionários e clientes abandonaram o local, aguardando a chegada da Defesa Civil. Não houve feridos, somente alguns populares precisaram ir ao Pronto Socorro do Hospital Santa Gertrudes devido à inalação de fumaça.

Calha furada impediu chamas
A salvação da oficina, onde estão para conserto vários veículos, entre inúmeros equipamentos explosivos, como botijões e matérias inflamáveis, foi o escoamento das calhas. A tubulação feita de plástico (PVC), ao ser queimada dispensou uma enorme quantidade de água, proveniente da chuva, ficou armazenada pelo entupimento de folhas, impermeabilizando as paredes da oficina.

Revestimentos de madeira
As duas edificações, pizzaria e biblioteca, de propriedade do mesmo locatário, possuíam iguais padrões de construção geminadas, idealizados como galpões na década 90. 
Nas estruturas em ferro com telhas galvanizadas, o forro foi confeccionado em madeira, como um isolante térmico dos barracões. O revestimento criado para dispensar o calor, propagou ainda mais o incêndio, desmoronando em chamas e destruindo tudo. As mesas e cadeiras, armários de utensílios, tudo que estava na pizzaria, foi esmagado pela ferragem.
Na biblioteca, o teto em chamas desmoronava sobre mais de 30 anos de acervo. As prateleiras onde eram arquivados 20 mil livros, entre coleções raras da literatura nacional e mundial, revistas e documentos históricos de Cosmópolis, foram consumidos pelo fogo. 
Importantes arquivos como o acervo de jornais da cidade, datado do início do século 20, parte dos instrumentos da banda municipal, móveis, televisores usados para os cursos e oficinas, computadores doados pelo Estado, tudo virou cinzas.
O prejuízo histórico só não foi maior porque parte do acervo fotográfico e documental, foi redirecionado ao Centro de Memória, localizado na Secretária de Cultura, antigo Grêmio Estudantil. Desde 2011, o Centro está digitalizando o acervo histórico municipal, assim como doações de fotografias e documentos.

Socorro de Paulínia
Com o único caminhão de combate a incêndios, pertencente e de responsabilidade da Prefeitura de Cosmópolis, em manutenção devido a furos no tanque de armazenamento de água, o socorro chegou de Paulínia. Acionado por populares, o Corpo de Bombeiros de Paulínia chegou ao local com dois caminhões, o percurso segundo os socorristas foi de 20 minutos.
Devido as proporções do incêndio, outras viaturas chegaram em seguida, participando das operações quatro caminhões e uma viatura da Unidade de Resgate. A Usina Ester também cedeu um dos caminhões utilizados pela empresa no combate de incêndios nos canaviais, intensificando os trabalhos de controle das chamas.

Risco de desabamento
Por volta das 23h30 o incêndio já estava controlado. Feito o resfriamento das construções e o rescaldo, termo usado pelos bombeiros quando ficam somente as brasas e cinzas, a área foi interditada pela Guarda Municipal e preservada para vistoria da perícia.
As causas do incêndio estão sendo investigadas. Um dos possíveis focos das chamas podem ter ocorrido devido a problemas nas fiações elétricas dos prédios. As edificações possuíam a mesma estrutura de forro, sendo divididas parcialmente as instalações elétricas nos espaços.
Com o desabamento das estruturas, as paredes dos barracões correm o risco de desabar. As paredes dos principais acessos da Biblioteca estão todas comprometidas, rachaduras e dilatações são visíveis em toda alvenaria. O intenso calor do incêndio chegou a contorcer janelas, portas de aço e as telhas galvanizadas. Em nota, a Prefeitura de Cosmópolis aguarda o laudo técnico das autoridades competentes para maiores esclarecimentos.

Novo acervo da Biblioteca
A Secretaria de Cultura de Cosmópolis iniciou na quarta-feira (7) uma campanha para doações de livros, que serão destinados ao novo acervo da biblioteca municipal. A ação busca a solidariedade da população. Os livros devem ser entregues na sede da Secretaria de Cultura (antigo Grêmio Estudantil), localizada na Rua Santa Gertrudes, nº 254, próximo ao Terminal Rodoviário. Os horários de entrega são de segunda à sexta-feira, das 9h às 16h.

A mais antiga pizzaria de Cosmópolis
A Casamassima era a mais antiga pizzaria em funcionamento em Cosmópolis, fundada pelo casal Luiz Velazquez (Gringo) e Raquel Aranha no fim dos anos de 1980. Na Rua Antônio Carlos Nogueira, em frente às seringueiras (fícus) da Escola Rodrigo, a Casamassima está instalada desde o fim dos anos de 1990. Com mais de 20 anos de história, a pizzaria era uma referência entre amigos para grandes confraternizações e encontros festivos.

Biblioteca havia completado 35 anos
No dia 30 de novembro, a Biblioteca Pública Municipal José Kalil Aun, completou 35 anos de fundação. Inaugurada em 1981, no aniversário de Cosmópolis, a Biblioteca recebeu o nome de um dos primeiros comerciantes da região central, o libanês José Kalil Aun, proprietário da Casa Kalil. 
Casado com Dona Badra Aun era pai do renomado médico Dr. Orlando Kalil Aun e da professora Lídia Onélia Kalil Aun Crepaldi.
Construída na administração do prefeito Oswaldo Heitor Nallin, a ideia da administração na era concentrar em um só local todo acervo público de livros, disponibilizando o acesso para um número maior de leitores. No amplo prédio construído pela Prefeitura, a Biblioteca funcionou até 1999, quando o local foi cedido ao Fórum. Atualmente nas dependências da Biblioteca eram realizadas diversos cursos de aprendizagem musical e artística, como ensaios do grupo de violeiros e Banda Municipal. O maior prejuízo desta devastação será do acervo da biblioteca, incalculável financeiramente dada à importância histórica dos arquivos de memória e história cosmopolense.

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