Cosmópolis: o nascimento como município


 Emancipação política e administrativa de Campinas aconteceu em 1944 

 

Dia 30 de novembro de 1944, uma quinta-feira, o marco histórico do ‘nascer’ de uma cidade após anos de lutas. Nesta data, o cosmopolense tornava-se filho de sua própria terra, o progressista distrito conseguia sua emancipação política e administrativa de Campinas.
A Vila de Cosmópolis pertencia a um território, desbravado por Bandeirantes no fim do século 17, povoado por migrantes e imigrantes, começa então uma nova história, a qual completa 72 anos na quarta-feira (30).
Em crise financeira, cortando gastos e caminhando para as últimas semanas de mandato da atual administração, a edição 2016 da ‘tradicional’ festa de aniversário de Cosmópolis não será realizada pela prefeitura. Em outras edições da festa, a administração municipal trouxe ao município cantores como Leonardo, Fábio Junior, Daniel e bandas gospel.

Pobre distrito rico
Com aproximadamente 15 mil habitantes, Cosmópolis, na década de 1930, era o maior distrito campineiro, estando entre as maiores sedes de distrito de paz de São Paulo.
O distrito destacava-se no Estado pelas produções agrícolas, como algodão, laranja, cereais, e principalmente no setor canavieiro, que desde a instalação da Usina Ester em 1898, possuía uma das maiores produções de açúcar e derivados do estado.
A localização, próxima de Campinas e grandes centros como Limeira e Mogi Mirim, a vasta malha ferroviária da Sorocabana, trazia ao distrito importantes indústrias, como foi o caso da carioca Urca Tecelagem.
Com crescente arrecadação, o distrito contrastava na região por não ter distribuição de água nas casas, não existindo nenhum tipo de serviços de saneamento, não havia pavimentação nas ruas e estradas municipais.
Os serviços de iluminação e telefonia eram precários, disponíveis somente na região central. Instalados no distrito no fim do século 19, Cosmópolis foi uma das primeiras vilas a possuir luz elétrica e serviços telefônicos no Estado, estando deste então, sem manutenção e modernização das redes de fornecimento.
Entre outros inúmeros descasos nos serviços municipais prestados pela prefeitura de Campinas, a população sentia-se abandonada, iniciando na década de 1930 os processos de emancipação de Cosmópolis.

‘A conspiração cosmopolense’
Em 1938, o extinto Diário do Povo, importante jornal campineiro, noticiava em suas páginas como ‘conspiração cosmopolense’, que se unia ao distrito de Artur Nogueira para constituir um novo município no processo de emancipação. Surgia o grupo pró-municipalização, formado por comerciantes, populares da ‘vila’, usina e áreas rurais.
Nas ações emancipalistas, o grupo nogueirense decidiu seguir outro processo, buscando a desanexação de Campinas, unindo o território a Mogi Mirim. Cosmópolis seguia o seu sonho sozinha.
Após anos de inúmeras batalhas jurídicas com prefeitura e Câmara de Campinas, o distrito conseguia importantes apoios nos processos de emancipação como do jurista Dr. Rodrigo Octávio Langard de Menezes, o Deputado Romeu de Campos Vergal e o presidente militar Getúlio Vargas. Nas últimas semanas de novembro de 1944, o interventor militar do Estado, governador Fernando de Sousa Costa, aprovava a criação do município de Cosmópolis.

'Nascimento’ do município de Cosmópolis
No Palácio Campos Elíseos, sede do governo paulista, era oficializado o decreto-lei Estadual nº 14.334, criando o município de Cosmópolis.
A comissão Pró-Municipalização, apresentava os nomes do dentista Dr. Moacir do Amaral, como prefeito, e do agricultor Caetano Achiles Avancini, como vice. Com os nomes autorizados pelo governo militar, assumiam oficialmente a prefeitura de Cosmópolis no dia 1º de janeiro de 1945.
Nesse período, o Brasil era governado pelo regime ditatorial de Getúlio de Vargas, não sendo realizada no município eleições e a instalação da Câmara Municipal de Vereadores.
Em tempos que uma ligação telefônica demorava horas para ser completada, a notícia era informada para a ansiosa população no início da noite, quando os emancipalistas desembarcavam na Estação da Sorocabana.
Rojões estouravam no céu da ‘nova cidade’, carros, charretes, troles e cavaleiros, anunciavam a boa nova. As comemorações se concentravam na Avenida Ester e no largo da Matriz de Santa Gertrudes, principalmente nos bares da região da Biquinha. Em um bar na Avenida, Dr. Moacir e Caetano Avancini recebiam simbolicamente da população as chaves de Cosmópolis.
Em 1º de janeiro de 1945, uma grande festa popular consagrava a posse do primeiro prefeito e vice. A cidade amanhecia ao som da Corporação Musical, baterias de rojões anunciavam a chegada de Dr. Moacir e Caetano Avancini na Prefeitura, onde assinavam a documentação legal de instalação do município. Dr. Moacir do Amaral permaneceu no cargo até agosto de 1945, exonerado, foi substituído por Gentil Bicudo, nomeado pelo Estado.

Primeira eleição
Com o fim do período Militar, em 1947, eram realizadas as primeiras eleições municipais de Cosmópolis, sendo instalada a Câmara Municipal dos Vereadores, criada nos fundos do Paço Municipal. Nessa eleição, o eleitor cosmopolense tinha somente a opção do voto ao cargo de vereador, a nomeação do prefeito ainda era feita pelo Estado. João Guilherme Paz Herrmann, diretor da Usina Ester, foi nomeado prefeito, Dr. Moacir do Amaral foi o vereador mais votado na primeira eleição municipal.

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